quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sacro Sacrilégio na Sacristia

Seu corpo treme
Ao Alto roga a força
Para que resista
À tentação que açoita
E aumente sua graça
Na Senda da Virtude
Antes que endoideça
Sua fé desfaleça
A São Bento suplica
Que a carne fraca lhe revista
Em armadura
De Arcanjo e Serafim
Do Reino Celeste

O inimigo mais voraz
No corpo indefeso
De mulher despida
A tomar seu banho
Nas águas da cachoeira

Vertigem que confunde
Quem tenta fugir
E não consegue
Na mente que ordena:
Ide embora!
Em queda de braço
Com o coração
Que a perna prende

Petrificado um homem
Não se move
Para frente
Nem para trás
E um anjo-mulher
Frágil, indefesa, delicada
É quem lança
Rede intrincada
Que não se vê
Nem se toca
Mas o prende
Num emaranhado de nós
D`onde não se solta

O anjo lava negras madeixas
De fina seda
Sob as águas que escorrem
Sem que perceba
Que alguém atônito
Em transe lhe fita.

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